sexta-feira, 2 de abril de 2010

O Santo Presidiário

Neste sábado (3), às 12h15min, na RBS TV, a apresentação do último episódio do programa "Histórias Extraordinárias" gravado em Uruguaiana. O especial foi inspirado em um texto do escritor uruguaianense Carlos Fontes, publicado em jornal local. A lenda "Um Santo Presidiário" é uma releitura de Fontes de uma história ocorrida na estância São Sebastião, onde comemoravam-se, todos os anos, no dia 20 de janeiro, a data consagrada ao Santo protetor, quando vinham em grandes romarias moradores locais, para orarem na pequena capela e pagarem suas promessas.
Num determinado dia, após uma das festividades religiosas, foi encontrado no mato o dito bandoleiro morto, com um profundo corte no peito e o mais estranho ainda, o rastro de seu sangue direcionava até a porta da capela, onde puderam notar – assim nos contam as pessoas antigas, que a lança de São Sebastião gotejava sangue. A notícia espalhou-se rapidamente pela campanha afora e como todos nós sabemos, foi aumentando sua história, criando-se um clima de tensão entre os moradores da região, num misto de sobrenatural ou milagre. Havendo o boato de que o bandido fora morto por São Sebastião.
Levaram a imagem do santo para a Delegacia de polícia, para ser julgado no fórum de Alegrete, pois Uruguaiana ainda não dispunha de uma Comarca. O Juiz fora decisivo em seu julgamento e, já que o santo não quisera falar e quem cala consente, por ser o pretenso assassino culpado, deve ser julgado e condenado.

O santo ficou preso por vários anos. O

Cel Feliciano se abalou com a decisão judicial e, ainda tentou, pela sua grande influência, a absolvição do santo, porém, teve que se submeter ao veredicto.

Na data consagrada à devoção religiosa de São Sebastião, o Cel Feliciano Ribeiro, mesmo abalado por ver o seu santo de devoção preso, precisava do mesmo para as procissões. Foi necessário solicitar a liberação da imagem, através de um alvará de liberdade provisória condicional, para que o santo participasse das romarias, mas sempre escoltado por uma guarda policial.